O QUE COMEMORAMOS NA INDEPENDÊNCIA?

Então, chegou o 07 de setembro, data que comemora nossa controversa independência de Portugal. Ficamos independentes para sermos regidos por um português que tão logo tomou o poder outorgou uma constituição onde ele, o imperador, era a palavra final de todas as decisões do estado, onde continuaríamos sendo um país onde a religião nativa fora completamente desrespeitada e onde, sem sombra de dúvidas, as vontades de um português liderariam aqueles que eram de fato brasileiros e que em seguida, seu filho, também um português iria comandar o país mesmo tendo muito menos da idade para assumir o governo, um golpe, na realidade.

Acredito como um ato muito lindo, a reunião das pessoas no dia 07 para assistir o desfile cívico-militar, onde as crianças e adolescentes são expostas por horas a fio para representarem a independência do nosso país. As meninas se vestem lindamente, os rapazes com a roupa perfeitamente passada, as maiores autoridades locais em cima de palco aplaudindo e vendo seu nome ser propagado por horas, mesmo o Estado devendo ser impessoal.

Mas a pergunta que deve ficar a que realmente deveria ser feita: somos realmente independentes? Ou necessitamos de dogmas culturais e econômicos para sermos inseridos na sociedade? Será que o negro realmente foi feito independente? Quando há pessoas que chegam atravessar a rua para não poder cruzar com um negro na mesma calçada. Os homens e as mulheres podem realmente tomar suas próprias decisões? Ou sempre vão ter pessoas que ao “expor” sua opinião vão ofender homens e mulheres por sua opção sexual, religiosa e de como se veste, ou de como é seu formato do corpo e por aí vai e sempre recorrer a “liberdade de expressão” para justificar o que no mínimo poderia ser considerado uma grosseria?

Somos independentes? Ou somos ainda encabrestados por uma realidade onde as pessoas querem se intrometer onde realmente não cabe a elas? Onde as escolhas pessoais de cada pessoa influenciam em sua competência profissional. Quantas vezes já não houve pessoas que foram humilhadas, por serem mães e precisarem de licença maternidade? De serem recusados no trabalho por serem negros, homo afetivos ou seguidores de uma religião diferente do cristianismo…

E para agravar a comemoração do 07 de setembro, estamos regredindo na história, elegemos a forma mais retrógrada de pensar, governar e construir um futuro, vejo jovens, de pouca idade, idolatrarem alguém só porque antagonizam outro, onde esses jovens deveriam desconfiar de tudo e de todos e serem a alternativa que mudasse o futuro para aqueles mais novos.

Enfim, há independência a comemorar?

Sildemberg Araújo
Graduando em Direito