SOBRE O LIVRO “BANDEIRA DE SANGUE” – Nonato Nunes

O livro “Bandeira de sangue – Nem heróis, nem vilões” [já à venda em bancas, livrarias e sebos de João Pessoa, e no Museu Sacro, em Guarabira] foi inspirado numa conversa que eu tive com o meu pai já há alguns anos. Ele me contou que em 1930 tinha apenas sete anos de idade [nasceu em julho de 1923] e morava no sítio Quati, na serra da Jurema [Guarabira].

Dois dias após o assassinato, que ocorrera em Recife em 26 de julho de 1930 [um sábado], ele e minha avó foram a Guarabira para fazer compras. Eles se encontravam na famosa Casa Vergara [uma espécie de shopping center da época – com várias filiais -, incluindo-se Campina Grande e Guarabira] quando alguém deu o aviso à minha avó de que saíssem dali que logo tudo iria pegar fogo.

E o cidadão estava com a razão. Poucos minutos após eles saírem um grupo de pessoas, fiéis à política do presidente João Pessoa Cavalcanti, atearam fogo à Casa, e tudo virou cinzas sem que ninguém pudesse fazer nada.

A partir de então passei a alimentar a ideia de um dia – com mais experiência na construção de textos e com mais capacidade de fazer pesquisas – poder escrever um livro sobre todos aqueles fatos. O que veio a acontecer em fins de 2019. Fui mais além. Passei a observar uma curiosidade: ninguém havia, até então, se preocupado em pesquisar e descrever – dentre outras coisas – o trajeto que o presidente fez na sua última viagem. O livro, assim, detalha esse aspecto da história, incluindo-se mapas da época [de 1923 e 1926]: um da cidade de Parahyba [depois João Pessoa] e outro do Estado da Paraíba. As ilustrações incluem ainda fotos de vários personagens do livro, além de um documento importante datado de 1922. 

O livro conduz ainda o leitor por uma viagem no tempo, mostrando algumas mudanças arquitetônicas impostas à capital paraibana pelos governantes anteriores a João Pessoa, sobretudo Camilo de Holanda [1916-1920], este talvez o maior reformador que a Paraíba já conheceu, pelo menos até a primeira metade do século 20.  A publicação relata ainda fatos que ainda inéditos, como, por exemplo, a trama urdida na Paraíba por Juarez Távora, pois a Revolução de 30 teve a Paraíba como um dos epicentros.

São lances típicos de um filme de espionagem. E tem ainda outras questões relacionadas àqueles fatos e que são bem pertinentes para que se saiba as razões pelas quais João Pessoa Cavalcanti foi assassinado.

Nonato Nunes